Alerj homenageia afroturismo com Diploma Abdias Nascimento
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou projeto que homenageia espaços de afroturismo com o Diploma Abdias Nascimento. A iniciativa valoriza roteiros e equipamentos culturais que preservam a memória negra no estado.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou projeto que homenageia espaços de afroturismo com o Diploma Abdias Nascimento. A iniciativa valoriza roteiros e equipamentos culturais que preservam a memória negra no estado.
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sancionou, em 2025, o Diploma Abdias Nascimento, uma honraria que reconhece espaços de afroturismo no estado. A iniciativa, de autoria da deputada Dani Monteiro (PSOL), visa valorizar roteiros, centros culturais e equipamentos turísticos que preservam a memória negra e promovem a luta antirracista. O diploma leva o nome do intelectual e ativista Abdias Nascimento, figura central no movimento negro brasileiro.
O afroturismo, segmento que conecta viajantes à história e cultura afro-brasileira, ganha força no Rio de Janeiro. A Alerj, ao criar o Diploma Abdias Nascimento, oficializa o reconhecimento a espaços que mantêm viva a herança africana. A medida reflete um movimento maior de valorização da identidade negra no turismo, setor que responde por cerca de 8% do PIB fluminense, segundo dados da Secretaria de Estado de Turismo (Setur-RJ).
Como funciona o Diploma Abdias Nascimento
O diploma será concedido anualmente a espaços de afroturismo que se destaquem na promoção da cultura afro-brasileira. Podem concorrer roteiros guiados, museus, centros culturais, quilombos urbanos e rurais, terreiros, e outros equipamentos turísticos que tenham o protagonismo negro como eixo central. A seleção será feita por uma comissão mista, composta por representantes da Alerj, da Secretaria de Cultura e de entidades do movimento negro.
Critérios de seleção
Os critérios para a concessão do diploma incluem:
- Relevância histórica e cultural do espaço para a memória negra.
- Atuação comprovada em ações antirracistas e de valorização da herança africana.
- Impacto social e turístico na comunidade local.
- Transparência na gestão e acessibilidade ao público.
Segundo a deputada Dani Monteiro, o diploma "não é apenas um troféu, mas um instrumento de visibilidade para espaços que muitas vezes são invisibilizados pelo turismo tradicional".
Abdias Nascimento: o nome por trás da honraria
Abdias Nascimento (1914-2011) foi um dos maiores intelectuais e ativistas do Brasil. Fundador do Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1944, ele dedicou a vida à luta contra o racismo e à valorização da cultura afro-brasileira. Foi também senador da República e secretário de Direitos Humanos do Rio de Janeiro.
O nome do diploma homenageia sua trajetória de resistência. "Abdias Nascimento é um símbolo da luta antirracista no Brasil. Dar o nome dele a essa honraria é um reconhecimento da importância do seu legado para o afroturismo", afirmou a deputada Dani Monteiro em plenário.
Afroturismo no Rio de Janeiro: um setor em expansão
O Rio de Janeiro concentra cerca de 30% dos empreendimentos de afroturismo do país, segundo levantamento do Ministério do Turismo (2024). Roteiros como a Pequena África, na região portuária, o Circuito da Herança Africana, em Madureira, e o Quilombo do Camorim, na Zona Oeste, atraem visitantes nacionais e estrangeiros.
A Setur-RJ estima que o afroturismo movimente anualmente R$ 150 milhões no estado, gerando empregos diretos e indiretos em comunidades periféricas. "O turismo de base comunitária, especialmente o afroturismo, é um vetor de desenvolvimento econômico e social", destacou o secretário de Turismo do estado, Gustavo Tutuca.
Próximos passos: como inscrever espaços
A Alerj ainda não publicou o edital para a primeira edição do Diploma Abdias Nascimento, mas a expectativa é que as inscrições ocorram no segundo semestre de 2025. Espaços interessados devem ficar atentos ao site oficial da Assembleia e às redes sociais da deputada Dani Monteiro. A comissão avaliadora priorizará iniciativas que comprovem impacto positivo na comunidade e alinhamento com os princípios do afroturismo.
Para quem deseja conhecer o afroturismo no Rio, a dica é começar pelo Circuito da Pequena África, que inclui o Cais do Valongo, o Jardim Suspenso do Valongo e o Centro Cultural José Bonifácio. O roteiro é guiado por historiadores e ativistas locais, e pode ser agendado com antecedência.
Perguntas Frequentes
O que é o Diploma Abdias Nascimento?
É uma honraria criada pela Alerj para reconhecer espaços de afroturismo no estado do Rio de Janeiro. O diploma leva o nome do ativista Abdias Nascimento.
Quem pode receber o diploma?
Roteiros, centros culturais, museus, quilombos, terreiros e outros equipamentos turísticos que promovam a cultura afro-brasileira e a luta antirracista.
Como inscrever um espaço?
Ainda não há edital publicado. A previsão é que as inscrições sejam abertas no segundo semestre de 2025, com divulgação no site da Alerj.
Qual a importância do afroturismo?
O afroturismo valoriza a história e cultura negra, gera renda em comunidades periféricas e combate o racismo estrutural. No Rio, movimenta cerca de R$ 150 milhões por ano.
Onde assistir a filmes sobre afroturismo?
Produções como "O Rio de Janeiro Negro" (2023), de Lilian Solá Santiago, e "Pequena África" (2022), de Zozimo Bulbul, estão disponíveis em plataformas de streaming e em mostras de cinema negro.
cinema negro brasileiro 2025 roteiros de afroturismo no Rio
Aline Furtado
Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.
Ver todos os artigos →