Rio recebe exposição sobre corrida mineral no Vale do Jequitinhonha
O Rio de Janeiro recebe uma exposição que revisita a corrida mineral no Vale do Jequitinhonha, região que viveu um ciclo de exploração de ouro e diamantes nos séculos XVIII e XIX. Com curadoria de historiadores e acervo do Museu do Diamante, a mostra reúne fotografias, mapas e ob
O Rio de Janeiro recebe uma exposição que revisita a corrida mineral no Vale do Jequitinhonha, região que viveu um ciclo de exploração de ouro e diamantes nos séculos XVIII e XIX. Com curadoria de historiadores e acervo do Museu do Diamante, a mostra reúne fotografias, mapas e ob
Rio recebe exposição sobre corrida mineral no Vale do Jequitinhonha
O Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro recebe, a partir de 15 de agosto de 2026, a exposição "Diamantes do Jequitinhonha: memória de uma corrida mineral". A mostra revisita o ciclo de exploração de ouro e diamantes que transformou a região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, entre os séculos XVIII e XIX. Com curadoria de pesquisadores da UFMG e acervo do Museu do Diamante, a exposição reúne mais de 200 peças, incluindo fotografias, mapas históricos, utensílios de mineração e documentos da época.
O Vale do Jequitinhonha foi palco de uma das maiores corridas minerais do Brasil colonial. A descoberta de diamantes na região, no início do século XVIII, atraiu milhares de garimpeiros e comerciantes, gerando um ciclo econômico que durou cerca de 150 anos. A exposição no Rio busca reconstituir esse período a partir de fontes históricas e arqueológicas, com destaque para o acervo do Museu do Diamante, que possui registros da mineração desde o século XVIII.
A corrida mineral no Vale do Jequitinhonha: contexto histórico
A exploração de diamantes no Vale do Jequitinhonha começou por volta de 1714, quando garimpeiros encontraram as primeiras pedras preciosas na região do Arraial do Tejuco, atual Diamantina. O governo português logo estabeleceu um rígido controle sobre a extração, criando a Intendência dos Diamantes em 1734. A região tornou-se então o maior produtor mundial de diamantes durante boa parte do século XVIII, superando as minas da Índia e do Bornéu.
A curadora da exposição, professora Maria Helena de Oliveira, da UFMG, explica que a mostra "não é apenas sobre pedras preciosas, mas sobre as pessoas que viveram esse ciclo, os conflitos sociais e o legado ambiental que permanece até hoje". A exposição dedica uma seção inteira à história dos trabalhadores escravizados que realizaram a maior parte da extração, bem como às comunidades quilombolas que se formaram após o declínio da mineração.
O que a exposição no Rio apresenta
A mostra no CCBB Rio está dividida em cinco núcleos temáticos. O primeiro apresenta mapas e documentos históricos que mostram a evolução da ocupação do Vale do Jequitinhonha. O segundo núcleo reúne ferramentas e utensílios de mineração, como bateias, almocafres e pilões, usados no garimpo artesanal. O terceiro núcleo expõe diamantes brutos e lapidados da época, além de joias produzidas com pedras da região.
O quarto núcleo é dedicado à fotografia histórica, com imagens do final do século XIX e início do XX, quando a mineração ainda era intensa. Por fim, o quinto núcleo aborda o legado contemporâneo, incluindo o turismo histórico em Diamantina e os desafios ambientais deixados pela exploração mineral.
Curadoria e acervo
A exposição tem curadoria conjunta de pesquisadores da UFMG e do Museu do Diamante, instituição vinculada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O acervo inclui peças do Museu do Diamante, do Arquivo Público Mineiro e de colecionadores particulares. Entre os destaques estão um mapa manuscrito de 1752 que registra as primeiras lavras diamantíferas e um conjunto de cartas de alforria de garimpeiros escravizados.
Impacto social e ambiental da corrida mineral
A exposição não romantiza o período. Uma das seções mais impactantes mostra as condições de trabalho dos escravizados na mineração, que incluíam jornadas de 12 a 14 horas em rios e encostas. Dados históricos indicam que cerca de 70% da força de trabalho nas minas do Jequitinhonha era composta por pessoas escravizadas, muitas vindas de regiões da África Central história da escravidão no Brasil Colônia.
O legado ambiental também é abordado. A mineração causou desmatamento extensivo e contaminação de rios com mercúrio e sedimentos. A exposição apresenta fotografias recentes que mostram áreas degradadas e processos de recuperação ambiental em andamento.
Como visitar a exposição no Rio
A exposição "Diamantes do Jequitinhonha" fica em cartaz no CCBB Rio de 15 de agosto a 30 de novembro de 2026, com entrada gratuita. O horário de visitação é de terça a domingo, das 9h às 21h. O CCBB Rio está localizado na Rua Primeiro de Março, 66, Centro. A mostra também terá uma versão virtual, disponível no site do CCBB, com visitas guiadas online.
Para quem deseja se aprofundar, a exposição oferece visitas mediadas com historiadores aos sábados e domingos, às 11h e às 16h. Também haverá um ciclo de palestras sobre a história da mineração no Brasil, com participação de especialistas da UFMG e do IPHAN.
A influência no cinema e na cultura contemporânea
A corrida mineral no Vale do Jequitinhonha inspirou obras literárias e cinematográficas. O romance "O Garimpeiro", de Bernardo Guimarães (1872), é um dos primeiros a retratar a vida nos garimpos. Mais recentemente, o filme "Diamante Bruto" (2020), da diretora mineira Ana Luísa Santos, mostra o cotidiano de garimpeiros na região nos dias atuais. A exposição no Rio inclui uma sala de projeção com trechos dessas obras, conectando o passado ao presente.
Perguntas Frequentes
Qual o período da corrida mineral no Vale do Jequitinhonha?
A corrida mineral ocorreu entre o início do século XVIII e o final do século XIX, com pico de produção entre 1730 e 1820.
Onde fica o Vale do Jequitinhonha?
O Vale do Jequitinhonha está localizado no nordeste de Minas Gerais, abrangendo cerca de 50 municípios, com Diamantina como principal centro histórico.
Quem organiza a exposição no Rio?
A exposição é organizada pelo CCBB Rio em parceria com a UFMG e o Museu do Diamante, com apoio do IPHAN.
A exposição tem entrada gratuita?
Sim, a entrada é gratuita para todos os visitantes.
Há visitas guiadas?
Sim, visitas mediadas com historiadores ocorrem aos sábados e domingos, às 11h e às 16h.
A exposição terá versão virtual?
Sim, uma versão virtual estará disponível no site do CCBB a partir de setembro de 2026.
exposições sobre história do Brasil no Rio de Janeiro
Henrique Vasconcelos
Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.
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