Rio Cello: festival de violoncelo ocupa espaços do Rio
A partir deste sábado (8), o Rio Cello, maior festival de violoncelos do país, ocupa museus, igrejas e salas do Rio com música, dança e formação. A 32ª edição promete democratizar a música clássica.
A partir deste sábado (8), o Rio Cello, maior festival de violoncelos do país, ocupa museus, igrejas e salas do Rio com música, dança e formação. A 32ª edição promete democratizar a música clássica.
Festival Rio Cello leva música a vários espaços do Rio de Janeiro
A partir deste sábado (8), o Rio Cello, considerado o maior festival de violoncelos do país, ocupa a capital fluminense com apresentações em museus, igrejas e salas de concerto. A 32ª edição, que segue até domingo (16), abre com uma apresentação de dança com música brasileira nos jardins do Museu da República, no Catete, zona sul da cidade. A programação é gratuita.
Resposta direta: O Rio Cello, maior festival de violoncelos do Brasil, começa neste sábado (8) e vai até domingo (16), com programação gratuita em espaços como Museu da República, Casa Museu Eva Klabin e Sala Cecília Meireles. A abertura terá dança de Chris Cecconelo em homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes, com o cellista Lui Coimbra estreando no festival.
O que esperar da abertura no Museu da República
A abertura reserva uma cena rara: a dançarina e coreógrafa Chris Cecconelo dança em homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ao lado do cellista Lui Coimbra, que faz sua estreia no festival, e dos violinistas Karolin Broosch e Thiago Cosmo. O concerto conta ainda com o grupo Amores do Rio, a Camerata Laranjeiras e os corais Cantos da Urca e Cantos do Largo, sob regência do maestro Jonas Hammar.
Para quem acompanha o festival há anos, a abertura nos jardins é um convite a redescobrir a música clássica ao ar livre. A escolha do local não é casual: o Museu da República, com seus jardins históricos, vira palco para uma fusão de dança e violoncelo que mexe com a cabeça, não só com os ouvidos.
Onde o Rio Cello acontece em 2026
Além do Museu da República, as apresentações ocorrem no Espaço Cenáculo, no Flamengo; na Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa; na Igreja de Nossa Senhora da Candelária, na Praça Pio X; e na Sala Cecília Meireles, no centro. A diversidade de espaços reflete a vocação do festival de levar música de concerto aonde ela nem sempre chega.
A história por trás do festival: da chacina à democratização
O Rio Cello começou como um encontro de violoncelistas, idealizado pelo cellista inglês David Chew, radicado no Brasil há mais de 40 anos. Com o tempo, virou uma das maiores celebrações de música de concerto do país, incorporando dança, artes visuais e educação.
David mantém, desde a criação, a intenção de popularizar a música clássica e homenagear o maestro Heitor Villa-Lobos, sua maior inspiração. "Isso para mim é o grande lance do festival. Democratizar e ser aberto para o público. Qualquer pessoa pode ver e assistir", disse em entrevista à Agência Brasil.
O festival já levou a música de concerto a mais de 500 mil pessoas. "É um caminho muito feliz e realizador", afirmou. Mas a origem é marcada por dor: o festival começou depois da chacina da Candelária, em que crianças e adolescentes em situação de rua foram mortos por policiais no entorno da igreja, no centro do Rio. Na época, David integrava a Sinfônica Brasileira e foi chamado para ajudar uma sobrevivente de cinco ou seis anos, muito abalada. A música não acalmou a criança, que chorava muito, e ele saiu com dor de cabeça. Daí nasceu a vontade de ajudar crianças de rua e de comunidades. "Nessa ideia do festival chamei meus amigos para me ajudar", revelou.
Novidades da edição: Cello Kids e 20 anos do Cello Dance
A renovação aparece em novos encontros. Um deles é a estreia do Cello Kids, dedicado a crianças, com formação e apresentação especiais. No sábado (15), o auditório do Museu da República recebe, das 11h às 12h, a Escolinha de Música Rio Cello, projeto mantido durante o ano. Entre 13h e 16h, a Oficina Cello Kids ocupa o Espaço Educação e os jardins, com cellistas mirins. O dia ainda tem o Coral das Marés.
Outra novidade é a comemoração dos 20 anos do Cello Dance, projeto que une violoncelo e dança, com apresentações inéditas de bailarinos que marcaram a história. O projeto saiu dos teatros e ocupou estações de metrô, praças, museus e palcos ao ar livre. Nessa, o público é convidado a fazer parte da cena.
Encerramento: o retorno de Bettina Dalcanale
O encerramento, no dia 16, às 11h, leva aos jardins do Museu da República o retorno à dança de Bettina Dalcanale, primeira solista do Theatro Municipal nos anos 90 e primeira bailarina a participar do projeto que antecedeu o Cello Dance. Bettina, que mora em Lisboa, Portugal, vem ao Brasil para interpretar O Canto do Cisne Negro, de Heitor Villa-Lobos, ao som do cello de David Chew.
"Eu tenho 64 anos e parei de dançar há 15. Encerrei minha carreira e o último foi um balé no Theatro Municipal", disse. Ela não faz aula de balé há 16 anos, mas aceitou o desafio, em parte pela neta de cinco anos, que adora balé. "Acho que até topei fazer isso, porque a minha neta tem cinco anos e ela adora balé", contou. A coreografia é assinada por Mônica Barbosa, e Bettina vai dançar descalça. "Quero me apresentar dignamente e trabalhei muito para isso."
David Chew se emociona: "Acho que uma primeira bailarina topar dançar na grama é incrível. É uma coisa que me emociona."
A programação de encerramento ainda traz David Chew com as pianistas Fernanda Canaud e Claudia Tolipan; o grupo Cello Popular, com Lauro Lira, Dave Haughey, David Chew e Mateus Ceccato; e os bailarinos Danilo D'Alma e Will Freitas, com o multi-instrumentista DJ Muralhex. A obra Três Filósofos, composta pelo cellista americano Dave Haughey especialmente para o festival, será interpretada por ele, Mateus Ceccato e David Chew, ao lado dos bailarinos Felipe Padilha, Inês Carijó e Monica Burity.
Violonsalada e números do festival
Na véspera do encerramento, dia 15, às 17h, a Sala Cecília Meireles recebe o encontro tradicional conhecido como Violonsalada. O nome nasceu dentro do próprio festival e traduz seu espírito: um "mix de tudo o que aconteceu na edição, com um ou dois números de cada artista participante, anunciados na hora, no palco".
Os números impressionam: desde a criação, 10 mil artistas participaram em mais de 500 locais do Brasil. "Do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao Cristo Redentor, do Palácio Itamaraty às quadras [das escolas de samba] Mangueira e Beija-Flor, de estações do MetrôRio a comunidades como o Complexo da Maré, Pavão-Pavãozinho e Dona Marta", informou a organização.
Apesar de tantos lugares, David tem uma vontade especial: "Eu prefiro levar as crianças das comunidades para ver apresentações no Theatro Municipal e em locais como o Museu do Amanhã ou na Candelária. É muito importante que elas conheçam esses lugares a que normalmente não têm acesso fácil."
Patrocínio e como acompanhar
Atualmente, o Rio Cello é patrocinado pela prefeitura do Rio e a Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a Lei do ISS. No início, era difícil conseguir recursos. "Eu fui batendo nas portas dos consulados e embaixadas pedindo que ajudassem o festival", contou David, que ainda mantém contato com patronatos. O Itamaraty já ajudou muito.
O projeto também estará presente na Semana de Artes do Rio, de 16 a 20 de setembro. Para a programação completa, o perfil oficial é @riocellooficial.
Perguntas Frequentes
O Rio Cello é gratuito?
Sim, a programação do festival é gratuita, com apresentações em espaços públicos e privados do Rio.
Quando começa o Rio Cello 2026?
A 32ª edição começa neste sábado (8) e vai até domingo (16).
Onde acontecem as apresentações?
No Museu da República, Espaço Cenáculo, Casa Museu Eva Klabin, Igreja de Nossa Senhora da Candelária e Sala Cecília Meireles.
O que é o Cello Kids?
É uma novidade da edição, dedicada a crianças, com formação e apresentação especiais no dia 15.
Como acompanhar a programação?
Pelo perfil oficial @riocellooficial no Instagram.
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Cristiane Lobo
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