terça-feira, 11 de agosto de 2026 · Edição online
Freecine
Freecine

Brasileiro gosta de ler, mas falta acesso, diz escritor

ResumoItamar Vieira Junior, escritor brasileiro, afirmou na Flipelô que o brasileiro gosta de ler, mas enfrenta falta de acesso a livros. A declaração rebate a ideia de desinteresse nacional pela leitura. Pesquisa indica que 47% da população se declara leitora, reforçando o argumento do autor sobre a barreira estrutural.

Em noite de plateia lotada na Flipelô, o escritor Itamar Vieira Junior rebateu a ideia de que o brasileiro não gosta de ler. Para ele, o problema é acesso. Pesquisa aponta que 47% da população se declara leitora.

HV
Henrique Vasconcelos
· · 5 min de leitura
Brasileiro gosta de ler, mas falta acesso, diz escritor
Foto: Imagem ilustrativa · Freecine

Em noite de plateia lotada na Flipelô, o escritor Itamar Vieira Junior rebateu a ideia de que o brasileiro não gosta de ler. Para ele, o problema é acesso. Pesquisa aponta que 47% da população se declara leitora.

Brasileiro gosta de ler, mas tem dificuldade de acesso, diz escritor em noite de Flipelô

O escritor Itamar Vieira Junior, autor da Trilogia da Terra, disse na noite de ontem (7) que "não é verdadeira a afirmação de que brasileiro não gosta de ler". Para uma plateia que lotou o Largo do Pelourinho, em Salvador, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), ele ressaltou: o brasileiro gosta de ler, mas encontra dificuldades para fazê-lo.

Segundo o escritor, a quantidade de pessoas interessadas em livros no país é imensa. "Isso não é verdade. O que existe é desigualdade de acesso", afirmou, arrancando aplausos do público.

Por que a afirmação de que brasileiro não gosta de ler é rebatida

Itamar Vieira Junior foi enfático ao responder a um discurso comum no país. Para ele, a ideia de que falta interesse por leitura não se sustenta diante da realidade que observa em viagens pelo Brasil. O que falta, diz, é estrutura para que o livro chegue às pessoas.

"Posso dizer para vocês que, em toda parte do Brasil, a quantidade de pessoas interessadas em livros e em leitura é imensa. Isso é um bom retrato para aqueles que dizem: 'Ah, o brasileiro não gosta de ler'. Isso não é verdade. O que existe é desigualdade de acesso", disse.

A fala ocorreu em um dos cartões-postais da capital baiana, o Pelourinho, em um evento que reúne escritores e leitores. Para quem acompanha a literatura nacional, a posição de Itamar não surpreende. Ele próprio é fruto de bibliotecas públicas.

A importância das bibliotecas públicas na formação de leitores

O escritor contou que frequentava muitas bibliotecas públicas de Salvador na juventude. E defendeu que é preciso ampliar o número desses espaços no país. Para ele, a biblioteca no bairro faz diferença concreta na vida de quem mora na periferia.

"É um país profundamente desigual e o livro não é barato. E às vezes não há uma biblioteca pública no bairro onde a gente mora lá na periferia", criticou.

A memória pessoal de Itamar reforça o argumento. "Se não houvesse essas bibliotecas, certamente eu teria perdido muito das leituras que eu fiz ali na minha adolescência, no começo da vida adulta." O ideal, segundo ele, seria ter uma biblioteca em cada bairro.

O que dizem os dados sobre leitura no Brasil

Os números ajudam a dimensionar o problema. Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, 53% não leram nem parte de um livro nos três meses anteriores. O país perdeu 6,7 milhões de leitores em quatro anos.

Os dados mostram um cenário de desigualdade, mas também de potencial. O mercado editorial, aliás, tem visto sinais de recuperação. O Panorama do Consumo de Livros no Brasil, da Câmara Brasileira do Livro com a Nielsen BookData, apontou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025. O número representa alta de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que equivale a cerca de 3 milhões de novos consumidores.

Para Itamar, o caminho para aumentar o número de leitores passa por políticas públicas que garantam acesso. Um exemplo citado por ele é o MEC Livros, plataforma pública digital que reúne obras literárias gratuitamente por meio de empréstimo. O livro Torto Arado, do próprio autor, é o mais emprestado da plataforma.

"Esse ano veio um projeto muito bonito que é o MEC Livros. E aí não importa se você está lá numa comunidade isolada no Amazonas ou se você está numa grande cidade como Salvador ou São Paulo, mas você tem o livro ali [ao alcance, de forma gratuita]. Esse é um instrumento que veio para reduzir e mitigar essa desigualdade de acesso que existe", afirmou.

Como a falta de acesso afeta você leitor

Se você mora em uma grande cidade, talvez não perceba a distância que separa um leitor de um livro. Mas, na periferia, a biblioteca pública muitas vezes é a única porta de entrada para a leitura. Sem ela, o livro, que já não é barato, fica ainda mais distante.

A pesquisa do Instituto Pró-Livro mostra que a perda de leitores é real. Em quatro anos, o país deixou de contar com 6,7 milhões de pessoas que se declaravam leitoras. A boa notícia é que iniciativas como o MEC Livros tentam reverter esse quadro, levando obras gratuitas a qualquer lugar com acesso à internet.

Para quem quer começar a ler ou voltar a ler, a recomendação prática é buscar bibliotecas públicas e plataformas digitais. O acesso, hoje, pode estar a um clique de distância.

O papel das políticas públicas no futuro da leitura

Itamar Vieira Junior encerrou sua fala com uma convicção: "Mas que o brasileiro gosta de história e gosta de ler, nós sabemos. Gosta muito, desde sempre." A frase resume a visão do escritor, que vê na falta de políticas públicas o principal obstáculo para a formação de novos leitores.

O MEC Livros, citado por ele, é um exemplo de ação que pode reduzir a desigualdade. Mas o autor defende que o ideal seria uma biblioteca em cada bairro. Enquanto isso não acontece, a leitura segue dependendo de iniciativas pontuais e da persistência de quem acredita no livro como ferramenta de transformação.

Para o leitor que quer se aprofundar no tema, vale acompanhar os dados das próximas edições da Retratos da Leitura e do Panorama do Consumo de Livros. E, principalmente, usar as bibliotecas e plataformas disponíveis. como incentivar a leitura em crianças melhores livros para começar a ler

Perguntas Frequentes

O brasileiro realmente não gosta de ler?

Segundo o escritor Itamar Vieira Junior, não. Ele afirma que o brasileiro gosta de ler, mas encontra dificuldades de acesso, como falta de bibliotecas públicas e o preço dos livros.

O que é o MEC Livros?

É uma plataforma pública digital que reúne e disponibiliza gratuitamente obras literárias em formato digital, por meio de empréstimo. O livro Torto Arado é o mais emprestado da plataforma.

Quantos brasileiros se declaram leitores?

Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, cerca de 93,4 milhões de pessoas.

O que fazer para aumentar o acesso à leitura?

Itamar defende a ampliação de bibliotecas públicas e políticas como o MEC Livros. Para o leitor, buscar bibliotecas e plataformas digitais gratuitas é um primeiro passo.

Compartilhar:
HV

Henrique Vasconcelos

Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.

Ver todos os artigos →

Leia também

8 filmes de ficção científica que exploram dilemas éticos
Análises e Críticas

8 filmes de ficção científica que exploram dilemas éticos

Filmes de ficção científica frequentemente nos fazem refletir sobre dilemas éticos complexos. Aqui estão 8 obras que exploram essas questões de maneira marcante.

11 de agosto de 2026 · Juliana Maranhão
Roteiro web série: guia prático de estrutura e formato
Análises e Críticas

Roteiro web série: guia prático de estrutura e formato

Escrever uma web série exige estrutura episódica enxuta e formato técnico correto. Este guia mostra o passo a passo para criar um roteiro que funcione na prática, com dicas de duração, arco narrativo e erros comuns.

11 de agosto de 2026 · Wagner Pichetti
Festival de cinema de Brasília: impasse e repúdio da classe artística
Análises e Críticas

Festival de cinema de Brasília: impasse e repúdio da classe artística

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais longevo do país, vive um impasse. Diretores foram informados do cancelamento da 59ª edição, mas a governadora Celina Leão determinou a liberação de recursos. A classe artística repudia a situação.

11 de agosto de 2026 · Aline Furtado

Gostou? Receba mais análises

Newsletter quinzenal · curadoria editorial · sem spam